A atual formação do Helloween pode ter encontrado uma maneira de prolongar sua vida nos palcos. Para Andi Deris, dividir os vocais com Michael Kiske e Kai Hansen reduz o desgaste durante as apresentações e pode ajudar a banda a permanecer na estrada por mais uma década.

Em entrevista ao podcast Meet My Guest, do canal Mr. Music, Deris explicou que o revezamento entre os vocalistas proporciona pausas importantes durante o repertório. Enquanto Kiske assume uma música, por exemplo, Deris ganha alguns minutos para recuperar a voz antes de voltar ao palco.
“Ajuda muito, porque dividir significa mais luxo. Significa um pouco mais de pausas para descansar. Deixo Michael cantar sua música e fico bem depois de cinco minutos novamente, podendo me apresentar muito melhor do que se tivesse que continuar sem uma pausa”, afirmou.
A dinâmica é especialmente relevante para uma banda cujo repertório reúne diferentes fases de sua carreira e exige bastante dos vocalistas. Em vez de concentrar toda a carga vocal em um único cantor, o Helloween consegue distribuir as exigências ao longo do show.
“Dois e meio cantores”
A configuração atual ainda tem uma particularidade. Michael Kiske costuma definir o Helloween como uma banda com “dois cantores e meio”, em uma brincadeira que leva em consideração também a participação vocal de Kai Hansen.
Deris vê a situação de maneira bastante positiva e acredita que essa divisão pode contribuir diretamente para a longevidade da banda.
“Isso provavelmente nos dá um passe livre para continuar por mais dez ou quinze anos sem irritar as pessoas, porque podemos dividir”, disse.
O planejamento também começa nos ensaios. A banda pode analisar a ordem das músicas e identificar momentos em que um dos vocalistas precisa de uma pausa maior.
“Na sala de ensaio, você verifica tudo e diz: ‘Talvez a ordem das músicas não esteja funcionando porque preciso de uma pausa aqui. Caso contrário, minha voz estará acabada’”, explicou.
Baixar a tonalidade não é tão simples
Deris também falou sobre outro aspecto relacionado à preservação vocal: as afinações das músicas.
Embora atualmente seja possível mudar a tonalidade dos instrumentos eletronicamente, o vocalista não considera uma boa estratégia simplesmente apertar um botão para baixar meio tom quando sua voz estiver cansada.
Isso acontece porque os cantores desenvolvem uma técnica específica para cada tonalidade durante uma turnê. Uma alteração inesperada pode interferir na memória muscular e na maneira como as músicas são executadas.
“Se de repente baixar meio tom, a transição também fica mais baixa, então você não está fazendo um favor a si mesmo. Na verdade, é ainda pior, porque sua rotina fica completamente bagunçada”, explicou.
Segundo Deris, uma mudança de tonalidade poderia funcionar caso fosse planejada antes da turnê. Nesse caso, os músicos teriam tempo para ensaiar todo o repertório na nova afinação.
A tecnologia, por outro lado, já resolveu boa parte das dificuldades que existiam décadas atrás. Deris lembrou que, no passado, alterar a afinação dos instrumentos exigia mudanças físicas e demoradas. Por isso, o Helloween chegou a tocar parte do repertório meio tom abaixo.
Hoje, com sistemas capazes de alterar a afinação instantaneamente, a banda consegue retornar às afinações originais com muito mais facilidade.

Fonte: roadiecrew.com